CRÍTICA
FILME: MUTUM (2007, Brasil)
Dirigido pela carioca Sandra Kogut, "Mutum" tem excelente fotografia, com tomadas de câmera cruas e, muitas vezes, cruéis. Os closes são fenomenais e expressam, no sentido mais amplo e humano, os sentimentos dos personagens com suas feições dignas de grandes atores. As atuações são brilhantes, com um elenco mirim fora de série. O roteiro é assinado por Ana Luíza Martins Costa ao lado da própria diretora deste filme, e esboça uma ficção muito próxima à realidade. Baseado em livro de João Guimarães Rosa, intitulado "Manuelzão e Miguilim", a história é forte e ao mesmo tempo bela, com contrastes, tanto na narrativa quanto nas imagens, que são muito bem trabalhados na película. Um ótimo trabalho de produção, que ao lado de roteiro e direção muito bem, qualitativamente falando, gerou um longa-metragem simples e, ao mesmo tempo, dono de uma beleza extraordinária. Thiago, o personagem principal, vivido pelo ator Thiago da Silva Mariz, é uma graça e conquista a platéia com seu jeito carismático e com sua risada cômica. Ele é uma das sete crianças que formaram o elenco-mirim. Todas elas foram selecionadas na região da chapada de Minas Gerais, onde o filme foi rodado com a intenção de minimizar os custos com a produção, já que a cidade de Mutum fica no leste de Minas. Além das crianças, a maioria dos atores não são profissionais e muitos deles nunca haviam ido ao cinema. O que realçou a naturalidade das atuações e das cenas. "Mutum" ganhou o troféu Redentor de Melhor Filme, no Festival do Rio, foi o filme de encerramento da mostra Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes 2007 e teve exibição na mostra Première Brasil, no Festival do Rio 2007. NOTA (0 a 5): 4****
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