CRÍTICA
FILME: TÁ DANDO ONDA (Surf's Up, 2007, EUA)
"Tá Dando Onda" é uma animação de aventura e comédia que tem como diretores, Ash Brannon (co-diretor de "Toy Story 2", de 1999) e Chris Buck (diretor de "Tarzan", também de 1999), e como produtor, o veterano Christopher Jenkins, que em sua ficha, dirigiu efeitos visuais em clássicos do cinema como “O Rei Leão” (1994), “Hércules” (1997), entre outros. Todos se saíram muito bem em suas funções, o que acabou originando um resultado final esplêndido do longa-metragem. A direção de arte também teve seus méritos e Ron Lukas e Marcelo Vignali à frente. A trilha sonora foi composta por Mychael Danna. No começo, as músicas são mais agitadas, mas, com o tempo, as melodias foram se adequando ao foco do filme, que é o mundo do surf. Desta forma, o raggae tomou conta. A valorização da trilha está na variação de estilos musicais, conforme cronologia da aventura. Green Day, Incubus, Pearl Jam, Sugar Ray, The New Radicals e Lauryn Hill formam a lista das canções do filme e que definiu o bom gosto nas escolhas e conciliou plenamente as melodias com as cenas da película. Uma produção eclética, que tem o roteiro assinado por Lisa Addario, Christian Darren, Don Rhymer e Joe Syracuse. A estória é muito bem sincronizada com as imagens e tem um tom harmonioso com os personagens. Um filme leve e gostoso de assistir, que agrada a gregos e troianos, a crianças e adultos. Engraçado, dramático, tenso, inteligente. O enredo conta a história de Cadú, um pingüim de "Frio de Janeiro" (na Antártica) que sonha em ir para a terra do surf (Ilha Pingú) e virar astro do esporte. Cadú foi uma boa escolha para ser protagonista. Seu atrevimento foi positivo e benéfico para o desenrolar da aventura. João Frango é o seu melhor amigo, e por sinal, o personagem mais engraçado do longa. João é do Pantanal mato-grossense e tem um jeito que cativa a platéia. Criativo, amigável e inocente são apenas algumas das características dele. Tank Evans é o antagonista. Um pingüim que não respeita nada, nem ninguém. Alguns outros personagens também foram criados com sabedoria por parte da produção. São eles: Lani (a salva-vidas), Reggie Belafonte (o empresário do surf), Mikey Abromovitz (o olheiro), além de Big Z, que foi um grande parceiro de Cadú. É importante ressaltar que a qualidade versão brasileira ficou excelente, com dublagem magnífica, atores bem escolhidos, parte gráfica criativa e de boa qualidade e uma edição honrosa. Fato pouco nas atuais animações. A produção teve alguns erros de continuação e de proporção dos personagens em algumas cenas, mas considero-os relevantes perante o excelente resultado desta película, que surpreendeu positivamente e se tornará um marco do gênero pela sabedoria de argumentar convincentemente a história, por criar um universo único e por se tornar original. Por último gostaria de enfatizar e parabenizar a brilhante idéia de gravar o filme todo como um documentário. O acompanhamento da ascensão de Cadú pelos câmeras-man foi sensacional. Além disso, eles interagiam com os personagens de forma natural e hilária. Desde "Procurando Nemo" (2003) não via uma animação tão boa, tecnicamente e roteiramente falando. "Tá Dando Onda" é o novo clássico do cinema de animação. Importante frisar que há uma cena final com o personagem Glen Maverick (irmão de Cadú) após os créditos finais.NOTA (0 a 5): 5*****
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