CRÍTICA
FILME: NÃO POR ACASO (2007, Brasil)
A principal virtude de “Não Por Acaso” é a dinâmica das atuações frente a um ótimo roteiro, que soube aproveitar bem as situações e encaixar bem os personagens na narrativa. Uma história cheia de encontros e desencontros, de perdas, voltas por cima e vitórias de pessoas comuns. Rodrigo Santoro atua muito bem e convence nesta produção, coisa que há muito não o via fazendo, principalmente em filmes hollywoodianos, que o rebaixou com vários papéis bobos, vide o maior exemplo em “As Panteras - Detonando” de 2003, além de “Simplesmente Amor”, também de 2003. A exceção acontece em "300", no qual Santoro interpretou o deus-rei persa Xerxes, principal antagonista do roteiro, mas ainda sim, o ator não saiu-se muito bem, devido, principalmente à utilização de meios superficiais, como alterar a voz e o tamanho de Santoro para compor o personagem de quase 3 metros de altura. Em "Não Por Acaso", Santoro ganha mais espaço e confirma uma boa atuação, com feições de timidez, paixão, dor, desespero e alegria e interpreta Pedro, um dos protagonistas da história. Outras 2 grandes atuações que devem ser lembradas são de Leonardo Medeiros, que interpreta Ênio, o outro protagonista, e Letícia Sabatella, que interpreta Lúcia. Tecnicamente falando, as locações do longa são simples, porém muito bem escolhidas. Os efeitos visuais do filme não são impecáveis, mas também não decepcionam, fazendo sua parte frente à produção. A trilha sonora é mínima, com apenas 3 canções, mas todas com belas letras e melodias A fotografia e a montagem são de dar inveja, tamanha perfeição. As tomadas de câmera também são ótimas! Destaque para a escolha de filmar no "minhocão" de São Paulo (que são aqueles viadutos sobrepostos sobre as vias no centro da capital paulista) nos finais de semana, onde o mesmo é fechado ao trânsito de veículos e funciona para recreação das pessoas. Palmas para a excelente direção de Philippe Barcinski, que faz neste, sua estréia como diretor de longa-metragens, mas que já tem uma boa bagagem, pois dirigiu a série "Cidade dos Homens", de 2003 e o curta "A Janela Aberta", de 2002. O roteiro é de assinado pelo mesmo Philippe Barcinski, além de Fabiana Werneck Barcinski e Eugênio Puppo. Um desfecho fantástico e satisfatório. Um filme para ver e guardar na memória. Emociona, prende a atenção e surpreende, com tamanha inteligência e dinamicidade. “Não Por Acaso” ganhou 4 prêmios no Cine PE - Festival do Audiovisual, nas categorias de Melhor Ator, pela atuação de Leonardo Medeiros, Melhor Atriz Coadjuvante, por Branca Messina, Melhor Fotografia e Melhor Edição, confirmando o excelente trabalho realizado pelos produtores, idealizadores e realizadores desta película cinematográfica excepcional. É o cinema brasileiro numa crescente qualitativa. Num ano em que tivemos “O Cheiro do Ralo”, “Batismo de Sangue” e agora “Não Por Acaso”, confirmando a ótima forma do cinema canarinho, esperamos ansiosos por novas obras-primas no 2º semestre de 2007.NOTA (0 a 5): 4,5****
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