CRÍTICA
FILME: INFÂNCIA ROUBADA (TOTSI, 2005, ÁFRICA DO SUL/INGLATERRA)
O filme com produção sul-africana/inglesa é um colírio para os olhos. A começar pelo roteiro, muito bem escrito por Gavin Hodd, baseado em livro de Athol Fugard; tenso, incômodo, revoltante e sensível são adjetivos que o definem, ou pelo menos, tentam. A direção ficou por conta do sul-africano Gavin Hood, que já dirigiu "Rendition", de 2006 e saiu-se muito bem neste filme, sabendo conciliar o ótimo roteiro com tomadas e cenas extraordinariamente tocantes. A parte técnica, em geral, é básica, mas bem feita. O filme todo durante o dia é rodado com filtro colorido para dar a idéia de imagem pesada e obscuridade às cenas. A fotografia não é maravilhosa, mas cumpre seu papel. A trilha sonora é boa e relaciona-se bem com as tomadas. O final é surpreendente e sensacional As atuações são muito boas, com destaque para o protagonista Tsotsi, vivido pelo desconhecido, até então, Presley Chweneyagae. Na gíria urbana de Johannesburg a palavra "tsotsi" significa assassino. Este foi o 1º filme distribuído pela Miramax Films nos Estados Unidos após a saída de seus fundadores, os irmãos Harvey e Bob Weinstein. Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2006. O orçamento de “Infância Roubada” foi de US$ 3 milhões. Um longa-metragem simples, mas muito bem produzido, com uma história marcante e sem precedentes. Um colírio para quem está acostumado às produções hollywoodianas atuais. Em tempos, onde a palavra clichê está na moda, este filme destaca-se e foge à regra da monotonia cinematográfica. A prova disso é que o filme Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, recebeu 2 indicações ao BAFTA, nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Revelação, por Peter Fudakowski e ganhou o People's Choice Awards, no Festival de Toronto.NOTA (0 a 5): 4****
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