CRÍTICA
FILME: CARTAS DE IWO JIMA (Letters From Iwo Jima, 2006, EUA) O diretor Clint Eastwood ("Menina de Ouro") completa, com esse filme, seu ganancioso projeto, um dos poucos "crossovers" (união de dois filmes com histórias diferentes que se passam em um mesmo universo, tempo e espaço) intensos da história do cinema com quatro indicações ao Oscar: filme, diretor, roteiro original e edição de som (vencedor nesta última categoria). O primeiro filme ("A Conquista da Honra") mostra a visão dos soldados estadunidendes e essa segunda trata da versão japonesa da batalha na Segunda Guerra Mundial na ilha de Iwo Jima no Japão. Ken Watanabe ("O Último Samurai") é o protagonista da história e vive o general Tadamichi Kuribayashi, responsável pelo comando na defesa japonesa. O ator surpreende e demonstra destreza e forte poder de atuação, merecendo até mesmo o Oscar de melhor ator ou ao menos uma indicação, mas acabou injustiçado pela academia. A produção é magnífica e tem um forte nome: Steven Spielberg. Nos primeiros meses de 2001 Spielberg contratou William Boyles Jr. para escrever o roteiro, mas não gostou do resultado. Desde então deixou o projeto engavetado, até encontrar Eastwood após a cerimônia do Oscar de 2004. Foi então que Eastwood assumiu a cadeira de diretor da adaptação, com Spielberg passando a ser um dos produtores. Destaques para a sonoplastia sem igual, efeitos especiais muito bem feitos e bela fotografia. Clint Eastwood foi outro injustiçado no Oscar, pois seu trabalho de direção foi o melhor entre os indicados (Martin Scorsese - Os Infiltrados, Alejandro González Iñárritu - Babel, Paul Greengrass - Vôo United 93, Stephen Frears - The Queen), mas quem acabou levando foi Martin Scorsese por "Os Infiltrados"."Cartas de Iwo Jima" é melhor que a versão ocidental pois trata do fanatismo e pratiotismo dos soldados japoneses de outra forma. Enquanto os soldados estadunidenses usaram a guerra como produto de interesse pessoal e econômico, ou seja, para ganharem dinheiro e fama, os soldados orientais viveram a guerra com mais humanismo, dando mais valor à família e religião. Já ouviram falar que às vezes, a história de "perdedores" é muito mais interessante que a dos "vencedores"?! Pois então, isso se adequa a essa situação. A versão japonesa é mais tocante e bonita, com um roteiro melhor trabalhado e com valor de produção menor. Deixando explícita a ideologia do diretor em priorizar o enredo à espetacularização. O único contra do longa foi quanto à duração, causando indícios de monotonia ao espectador, mas felizmente, não demora acabar e nada de prejudicial interfere o ótimo resultado. Ao todo, "A Conquista da Honra" (R$ 55 milhões) e "Cartas de Iwo Jima" (R$ 15 milhões) tiveram orçamento de US$ 70 milhões. Uma curiosidade é que o governo japonês não autorizou que cenas de combate fossem rodadas na ilha de Iwo Jima. Desta forma estas cenas foram rodadas na Islândia, que também possui praias de areia negra e atividade vulcânica.NOTA (0 a 5): 4,5****
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