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    quarta-feira, junho 04, 2008

    CRÍTICA
    FILME: NA NATUREZA SELVAGEM (Into the Wild, 2007, EUA)
    "Na Natureza Selvagem" é de longe o melhor filme de Sean Pean ("11 de Setembro"), comprovando que além de ótimo ator, vem numa crescente como diretor. O roteiro, também assinado pelo próprio Pean, foi baseado no livro de Jon Krakauer que conta uma história verídica publicada em 1998 com mesmo título. Lento, mas sempre com ótimo nível, o filme conta, de forma atraente, envolvente e sensível, a triste história de vida do jovem Christopher McCandless, que após formar-se na faculdade sai ao mundo procurando o verdadeiro sentido da vida. Brincando, no bom sentido, com os sentimentos humanos, a história faz com que cada um repense nos seus propósitos de existência. Com a extraordinária fotografia de Eric Gautier ("Paris, Eu Te Amo"), as cenas têm um tom agradável e foi constantemente apoiada pelas belíssimas locações. "Na Natureza Selvagem" foi gravado em terras estadunidenses e totalmente “fora de estúdio”, com destaque para o Alaska, destino da equipe por quatro vezes, em diferentes épocas do ano, para as tomadas pretendidas. Este trabalho, dentre outros, comprova a desenvoltura da equipe de produção, composta por Art Linson ("Os Intocáveis"), William Pohlad ("A Pele") e Sean Penn. A trilha sonora é outra atração à parte e teve várias canções tocantes, uma delas é "Hard Sun", escrita por Gordon Peterson e interpretada por Eddie Vedder & Corin Tucker. As atuações também têm um lugar ao sol. E o destaque desta categoria ficou com Emile Hirsch ("Alpha Dog"). Protagonista e candidato a futuro astro de cinema, o jovem teve uma atuação impecável e comprovou sua ascensão na carreira. Emile se esforçou bastante para interpretar o personagem: perdeu 18 quilos e não usou nenhum dublê durante as cenas. Ou seja, ele é o filme. Com um orçamento de US$ 15 milhões, "Na Natureza Selvagem" recebeu duas indicações ao Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (Hal Holbrook) e Edição; ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção Original ("Guaranteed"), além de ter sido indicado na categoria de Trilha Sonora; recebeu uma indicação ao Grammy de Melhor Canção Original - Filme/TV/Mídia Visual ("Guaranteed") e ganhou o Prêmio do Público de Melhor Filme Estrangeiro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Um filme para ser visto e revisto tamanho sarcasmo, naturalidade e humanidade do roteiro e de suas cenas. O único empecilho foi a duração, que passou da conta. Mas nem isso atrapalhou o resultado final, com um verdadeiro “superávit”. Apesar da mínima divulgação aqui no Brasil (assim como aconteceu com "Crash - No Limite", que acabou levando vários prêmios), o longa faz por merecer devido e está bem acima da média em relação a maioria dos filmes atuais.

    NOTA (0 a 5): 5
    *****

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