CRÍTICA
FILME: DESEJO E REPARAÇÃO (Atonement, 2007, Inglaterra)
O drama "Desejo e Reparação" basicamente conta a história de uma jovem que tem o namorado acusado injustamente por um crime que não cometeu. A direção ficou a cargo de Joe Wright, que após "Orgulho e Preconceito", novamente está volta e muito bem. O roteiro, assinado por Christopher Hampton ("O Americano Tranquilo"), foi adaptado a partir do livro de Ian McEwan. Envolvente e eclético são adjetivos que o definem bem. Mas infelizmente este mesmo roteiro teve um pecado fatal: o detalhamento excessivo da trama, cansando o espectador ao tentar empurrar-lhe garganta abaixo. Por outro lado, a técnica de "Desejo e Reparação" é impecável. Com a maravilhosa fotografia do irlandês Seamus McGarvey ("As Horas"), o filme explora as silhuetas, usa filtros e jogos de luz, tornando-se belo com uma naturalidade fora do comum. As locações também tiveram extrema importância e auxiliaram a fotografia. As gravações foram todas feitas em solo inglês, com vários locais já visitados anteriormente, cinematograficamente falando, entre eles, o Surrey e Lincolnshire. A promessa do diretor era dar a essas imagens uma nova visão, diferente da tradicional. E não é que ele conseguiu! Com maestria soube ministrar e dosar de forma correta a parte técnica em relação ao roteiro, envolvendo a platéia. A montagem foi inteligentemente planejada e executada por Paul Tothill ("Sixty Six"), que teve extrema importância ao dar um ar harmônico, em conjunto com a narração do filme. Outra peça fundamental foi a equipe de produção, dirigida por Tim Bevan ("A Intérprete"), Eric Fellner ("Uma Saída de Mestre") e Paul Webster ("Diários de Motocicleta"), demonstrando total entrosamento da equipe executora. As atuações, por sua vez, são extraordinárias. A bela atriz inglesa, Keira Knightley, interpretou com maestria e doçura a jovem Cecilia Tallis. Já James McAvoy, na pele do injustiçado Robbie Turner, foi estupendo, com variações de emoções intensas, numa atuação acima da média. A trilha sonora marca pela simplicidade e agrada a “gregos e troianos”, somando pontos à produção. O orçamento de "Desejo e Reparação" foi de US$ 35 milhões. O filme foi exibido na abertura do Festival de Veneza e também no Festival do Rio, ambos em 2007. Além disso, foi indicado ao Leão de Ouro (por Joe Wright) no Festival de Veneza, a sete Globo de Ouro (Atriz Coadjuvante, Cinema - Ator - Drama, Cinema - Atriz - Drama, Cinema - Filme - Drama, Cinema - Trilha Sonora, Diretor e Roteiro), sendo que venceu as categorias Cinema - Filme - Drama e Cinema - Trilha Sonora e também a sete Oscar (Atriz Coadjuvante, Direção de Arte, Figurino, Filme, Fotografia, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora), vencendo apenas a Trilha Sonora. “Desejo e Reparação” é um filme belo, que merece ser visto e admirado, mas que peca ao exceder a estória.NOTA (0 a 5): 4,5****
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