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    segunda-feira, dezembro 10, 2007

    CRÍTICA
    FILME: OS DONOS DA NOITE (We Own the Night, 2007, EUA)
    Dirigido e escrito por James Gray, "Os Donos da Noite" estreou com poucas expectativas frente ao público, devido à baixa publicidade que teve. Assim como "Crash - No Limite" (2006), polêmico vencedor de Melhor Filme do Oscar 2006, esta é uma ótima surpresa, mesmo sem o devido marketing merecedor. O título do filme vem do lema da polícia de Nova Iorque na década de 1980, quando uma guerra contra gangues foi declarada. “We own the Night”, assim como o título da película em inglês era o grito de guerra dos policiais. A fotografia é excepcional e teve como diretor, Joaquín Baca-Asay. "Os Donos da Noite" é uma produção de altíssima qualidade técnica e roteirística. Com atuações formidáveis, o filme teve como destaque para o porto-riquenho Joaquin Phoenix, que vive Bobby Green, o protagonista da estória, no papel de um homem egocêntrico e corajoso, que tem de escolher entre a sua carreira e sua família. Com certeza este é o melhor papel da carreira do ator de 33 anos e mais conhecido no mundo cinematográfico por seu papel de antagonista do filme “Gladiador” (2000), Maximus. Eva Mendes também está irreconhecível. Até interpretar Amada Juarez, namorada de Bobby, a atriz de 32 anos não havia feito nenhum papel significante. Mas este foi o ápice da atriz, que realizou a sua primeira cena de sexo frente às câmeras. Eva confessou ao jornal The Sun que chorou depois de ter filmado a cena porque, segundo ela, ainda existe um pouco da garotinha católica que ela foi dentro dela e que se não fosse por isso, a teria feito sem problema algum. O roteiro é esplêndido e marca pela beleza das cenas, pela força dos personagens e por contar, ao seu lado, com uma ótima equipe de produção. A idéia de "Os Donos da Noite" surgiu devido a uma fotografia publicada no jornal New York Times durante o funeral de um policial, em que vários deles estavam se abraçando. Apesar do modismo, por parte dos diretores e produtores estadunidenses, devido ao menor custo dos filmes se gravados no Canadá, todas as gravações de “Os Donos da Noite” foram feitas no próprio Estados Unidos. O diretor se recusou a rodar o filme em Toronto porque queria dar maior realismo ao enredo. As filmagens ocorreram nas vizinhanças do Bronx, Manhattan, Brooklyn e Queens. Originalmente, "Os Donos da Noite" seria distribuído pela Warner Bros., sendo adquirido pela Universal Pictures para distribuição em alguns países. Mas a Sony Pictures Entertainment comprou os direitos de distribuição por US$ 11 milhões, sendo que o orçamento total do filme foi de US$ 21 milhões. No Brasil, apenas em três semanas de exibição, a produção arrecadou mais de R$ 3 milhões e um público total de 450 mil brasileiros neste mesmo período. Comprovando a ótima negociação realizada pela Sony. O longa-metragem foi indicado à Palma de Ouro, do Festival de Canne 2007, mas acabou não levando. O prêmio é o de maior prestígio do Festival, entregue desde 1955 ao filme vencedor da competição. A escolha anual é feita por um júri composto de profissionais internacionais ligados ao cinema, entre filmes inscritos de diversas partes do mundo, e se realiza durante o mês de maio na cidade de Canne, na riviera francesa. Contando com roteiro, técnica e atuações magníficas, “Os Donos da Noite” tornou a direção de James Gray impecável e marca por sua independência e coragem, tornando-se dificilmente esquecível.

    NOTA (0 a 5): 5
    *****

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