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    quinta-feira, novembro 15, 2007

    CRÍTICA
    FILME: TROPA DE ELITE (2007, Brasil)
    O nacional e polêmico longa-metragem "Tropa de Elite" chegou aos cinemas depois de uma onda de pirataria pesada que comercializou o filme antes mesmo de chegar às telonas. Seria esta uma jogada de marketing realizada pelos distribuidores Universal Pictures do Brasil e The Weinstein Company?! Na minha opinião sim. Uma comprovação disso é a entrevista que o diretor José Padilha concedeu ao programa "Roda Vida" da TV Cultura no dia 8 de outubro (http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/resultado.asp?programa=1088). Padilha declara satisfeito com a pirataria e explica que o filme só teve esta imensa projeção devido ao comércio ilegal. A versão "contrabandeada" está em inglês. O que camuflou um pouco a real intenção de uma divulgação antecipada para gerar polêmica e curiosidade entre o público. Mesmo perdendo alguns milhões, o diretor afirmou que o ganho foi muito maior e a repercussão também. Só faltou mesmo Padilha agradecer aos camelôs e assumir a responsabilidade pela distribuição informal. O roteiro de "Tropa de Elite", assinado por Rodrigo Pimentel, Bráulio Mantovani e José Padilha, lida com assuntos como drogas, armas, violência, corrupção e caráter pessoal. Forte e sem pudores, a estória é contada a partir da visão de policiais do BOPE (Batalhão de Operações Policias Especiais) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro frente ao crime organizado. Uma boa coisa é que o roteiro toma partida e culpa a classe burguesa como responsável pela violência no país. E justifica afirmando que o vício dos “playboys e patricinhas” alimenta o tráfico de drogas nas favelas cariocas. O filme mostra uma violência crua e extremista o tempo inteiro, funcionando como forma de espetacularização dos fatos ocorridos. Uma violência que se diz justificável, mas que, na verdade, é uma retórica aos traficantes, funcionando como contraponto ao tráfico, que cresce de maneira surpreendente a cada ano e mostrando que manda no pedaço. A forma como a película foi gravada e editada foi eficiente para comover e incomodar a platéia, que fica indignada com as cenas, causando uma inquietude que se mistura com uma sensação de impotência das pessoas de bem. Nisto sim, o diretor acertou a mão. Um filme que mexe com o intelecto e causa reboliço. A parte técnica é boa, com fotografia, dirigida por Lula Carvalho, bem ajustada, mas que tem uma trilha sonora que deixa a desejar e não sai da mediocridade. A canção-base é "Tropa de Elite", de 1999, do grupo Tihuana. O elenco foi montado por Fátima Toledo e tem atuações satisfatórias. A exceção é Vagner Moura, que interpreta o Capitão Nascimento, protagonista do enredo, num papel marcante, forte e pesado, mas que ainda sim, Vagner comprova sua qualidade. A produção de José Padilha e Marcos Prado não deixa a desejar e cumpre o pretendido, que é a sustentabilidade das cenas, principalmente as gravações de batalhas nos morros. Outro ponto positivo quanto à técnica, foi a gravação destas batalhas de forma peculiar. Ao invés de mostrar tiros e sangue jorrando, o diretor teve a brilhante idéia de simplesmente sacudir a câmera nestes momentos, causando uma sensação de frenesi. Padilha, anteriormente, dirigiu o excepcional documentário "Ônibus 174" (2002) e agora pretende fazer um longa-metragem sobre Brasília intitulado "O Corruptólogo", abordando a violência e corrupção pela perspectiva de um político corrupto. Uma outra polêmica que "Tropa de Elite" vem causando é a não indicação do filme para pré-seleção dos candidatos ao Oscar 2008 de Melhor Filme Estrangeiro. O excelente e muito superior "O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias", do diretor Cao Hamburger, ficou com a vaga. O Oscar anunciará os candidatos no dia 22 de janeiro. Já a cerimônia de entrega das estatuetas acontece no dia 24 de fevereiro. O filme abriu o Festival do Rio 2007.

    NOTA (0 a 5): 4
    ****

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