CRÍTICA
FILME: RATATOUILLE (Ratatouille, 2007, EUA)
A boa animação estadunidense "Ratatouille" chega aos cinemas canarinhos com boas expectativas de público e crítica. O diretor responsável pelo longa-metragem é Brad Bird, o mesmo de "Os Incríveis", de 2004. Bird demonstra um ótimo gosto para a realização do projeto, contando com um bom roteiro, assinado pelo próprio diretor, baseado em estória de Brad Bird, Jim Capobianco e Jan Pinkawa. O bom gosto, no caso, deve-se ao campo que serve como base para a passagem da narrativa, que é a arte da gastronomia. Além de trazer algo novo para a garotada (e barbudos também), o filme faz um misto de cultura e entretenimento, onde busca passar conhecimento, ainda que rasteiro, sobre a arte da cozinha francesa num ambiente leve, de descontração e relaxamento. O personagem Skinner, protagonista da história, tem este nome como homenagem a B.F. Skinner, psicólogo famoso por suas experiências com ratos. O filme mantém a antiga tradição das animações infantis, de transmitir às crianças, uma lição de moral, assim como acontece nas histórias literárias, destinadas a esta mesma faixa etária, contadas a partir da humanização de animais para maior facilidade de entendimento dos pequenos. A parte técnica é, em geral, muito bem estruturada, e a maior virtude da mesma é o constante acompanhamento da câmera na correria do ratinho cozinheiro, tornando a aventura ainda melhor de se ver. O produtor Brad Lewis e sua equipe fizeram um estágio de 2 dias na cozinha do French Laundry, em Napa Valley, para observar como é seu funcionamento interno. Mas nem tudo são flores nessa animação da Disney. Aponto algumas falhas nos efeitos visuais, bem como limites corporais distorcidos, sombras má delineadas e plano de fundo muitas vezes em desencontro com o objeto em foco. Os personagens criados caem um pouco na mesmice de história passadas, mas encaixaram-se perfeitamente no contexto do filme. O mais interessante destes personagens foi a criação do crítico de gastronomia, Anton Ego, que vive pegando no pé dos restaurantes franceses, fazendo um trocadilho e generalizando, com bom humor e de forma sutil, os críticos em geral, que são mal humorados, mas que no fundo são pessoas boas. Anton Ego, diga-se de passagem, lembra muito o estilista brasileiro Ronaldo Ésper, fisicamente e na maneira de vestir. O principal pecado desta produção foi para com o roteiro, na questão de não contar a história de Colette (a única mulher da cozinha), já que todos os outros integrantes do restaurante têm seus passados revelados; o que deixa o público com um ar de dúvida e sem nenhuma explicação. A personagem Colette pilota uma moto da marca Calahan. Trata-se de uma homenagem a Sharon Calahan, diretora de fotografia. Fotografia que também teve seus méritos em “Ratatouille”, já que a mesma é pouquíssima lembrada, tratando-se de filmes do gênero. Foram tiradas mais de 4500 fotos da cidade de Paris, para servirem de referência durante a produção. "Ratatouille" é um filme engraçado, positivo e que trabalha bem com questões morais das pessoas vividas em ratos, ambiguamente escolhidos.NOTA (0 a 5): 4****
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